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Mc 16.12-18
CRER É UM MILAGRE!
- Crer na Ressurreição de Jesus é, por si só, um milagre! Se os discípulos que andaram com Ele durante todo o seu ministério terreno, não conseguiram acreditar no testemunho dos que já o haviam visto, e testemunhado da sua ressurreição, quanto mais difícil é para nós!
- É mais fácil falar do sacrifício de Jesus. Da sua morte na cruz. É verdade, ela exige um grande poder de entrega, de humilhação, de despojamento absoluto... Mas, isso é humanamente admissível. Entregar-se até ao ponto de morrer por outra pessoa, isso nós entendemos que é possível acontecer.
Agora, ressurgir dos mortos?
Como? Quem já fez isso? Onde isso é possível?
Antes de morrer, contudo, Jesus havia dito ao seus discípulos de que Ele veio com este propósito. Primeiro, de morrer pelos nossos pecados, para pagar nossa dívida com Deus, e nos reconciliar com o Criador.
Depois da entrada triunfal, quando já estava em Jerusalém, sabendo que o momento da sua morte, ou a Hora das trevas, como diz em Lc 22.53, se aproximava, Jesus ficou angustiado. Sim, em Jo 12.27 o apóstolo relembra das palavras de Jesus, quando ele disse: a minha alma está angustiada. Não era para menos, diante do que Ele sabia que iria acontecer. Porém, como Ele lida com esta angustia? Ele continua dizendo: “Mas, precisamente com este propósito vim para esta hora!”. Jesus veio, encarnou, viveu, ensinou, mostrou as maravilhas de Deus, com este propósito: nos reconciliar com Deus através da sua morte. Ele tinha que morrer. Morrer pelos nossos pecados. O Justo pelo injusto.
Por isso, Deus enviou o seu Filho unigênito ao mundo: para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna! Jo 3.16
Mas, se Jesus ficasse na morte, as trevas teriam triunfado. Pois a morte é o desígnio do Diabo. Ele vem para roubar, matar e destruir.
Com Deus está o desígnio da VIDA. Ele é vida, vida abundante, plena e eterna. Esta vida, que perdemos por causa do pecado, da qual ficamos destituídos desde o Éden, Deus se propôs a restaurar em Cristo Jesus.
Mas, para isso, a morte tinha que ser vencida. Ela não podia mais ser a palavra final. Seu ferrão, seu poder, tinha que ser quebrado. Se Jesus ficasse retido na morte, a obra da reconciliação não teria sido completada.
Isso também nos mostra claramente de que Jesus não tinha ambições políticas. Ele não era um revolucionário, apesar de ter revolucionado. Ele não era apenas um Mestre, apesar de ser citado o tempo todo, no mundo todo. Ele não era um rei, apesar de ser adorado como tal. Ele era o Filho de Deus. E como Filho, obediente ao Pai, Ele veio para quebrar o poder das trevas, do diabo e do mal. E é disso que testemunha a ressurreição. É por isso que repetidas vezes Ele disse e ensinou aos discípulos: “é necessário que o Filho do homem seja entregue aos sacerdotes e escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios, para ser escarnecido, açoitado e crucificado. Mas, ao terceiro dia ressurgirá”. Mt 20.18,19.
Paulo ensina em Rm 14.9, que Cristo morreu e ressurgiu com este propósito, de se tornar Senhor sobre vivos e mortos. Ele resgata a propriedade de julgar vivos e mortos.
Por isso, quando os apóstolos escolhem alguém para seguir o apostolado no lugar de Judas, o traidor, eles colocam o critério de que seja alguém que tenham andado com eles desde o batismo de João, até o dia em que Jesus foi elevado, e ascendeu aos céus diante deles, e resumem o conteúdo da sua tarefa: “para que se torne testemunha conosco, da sua ressurreição”! At 1.22
Este testemunho, não dos milagres de Jesus, não do que ele ensinou em primeiro lugar, mas da sua ressurreição, que fez com que eles fossem presos e mortos também. At 4.2 deixa claro que os saduceus e sacerdotes ficaram tremendamente ressentidos com o testemunho da ressurreição, pois ela evidencia todo o ensino de Jesus.
A ressurreição dá o norte para tudo o que Jesus ensinou. Ele é Deus, e como Filho de Deus veio para destronar a morte e os poderes do inferno. Ele veio para quebrar o jugo do mal sobre toda a humanidade. Ele veio para destruir as obras de Satanás, e oferecer a todo o que Nele crê, o caminho livre para voltar para casa. Há perdão no sacrifício de Jesus. Há reconciliação pelo poder da sua ressurreição e entronização nos céus. Através delas, Deus demonstra o seu poder e amor por todos nós. E isto há de se anunciado por todos os que o amam e querem servi-lo.
Crer na ressurreição dos mortos e na herança da vida eterna que ela nos propicia, é a base da vida e da fé cristã. Se nós deixamos de anunciar isto, fazemos do cristianismo um código de ética e de boa moral, e de Jesus apenas um bom Mestre que virou um mártir por uma boa causa.
Foi o que fez o francês Allan Kardec, e por isso os espíritas conseguem misturar a crença oriental na reencarnação com os ensinos de Jesus. E ficam brabos quando falamos que eles não são cristãos, e não vêem que ressurreição e reencarnação são dois ensinos diametralmente opostos.
Nós, cristãos, anunciamos a ressurreição de Jesus. Anunciamos que através dela, Deus derrotou o diabo, a morte e o mal. O diabo foi destituído de todo o seu poder. Quando morreu, Jesus disse: isto está consumado. Agora era aguardar que o Pai o trouxesse de volta à vida e o entronizasse, lhe dando a autoridade plena sobre todas as coisas, quer nos céus, quer na terra.
Assim, o diabo não tem mais autoridade. Esta lhe foi destituída. Ele só tem a autoridade que nós lhe conferimos. Ele pode rosnar ao nosso redor, ele pode nos tentar, mas só pode agir se isso lhe é permitido.
Este poder que Deus dá a Jesus, também é conferido aos seus Filhos. Por isto o texto diz que os que crerem, como fruto da sua fé, e da presença do Espírito Santo em suas vidas, irão querer anunciar este evangelho a todas as pessoas. E muitos sinais se farão presentes, confirmando a presença de Deus em suas vidas e em suas obras.
Sim, Deus diz que Ele fará questão de honrar aqueles que o amam, servem e anunciam o seu evangelho. Estes experimentarão em suas vidas, todo poder que emana da fé em Jesus. Em especial, o texto fala do poder de operar para o surgimento de uma nova realidade na vida das pessoas. Onde antes operavam os sinais de morte, agora surge o poder da verdadeira vida. Os demônios são destituídos da autoridade que lhes havia sido conferida. O mal cai por terra, e vidas são restauradas de suas enfermidades espirituais, emocionais, psíquicas, mas também físicas. Por meio da fé, usando ou não o conhecimento que Deus deu aos seres humanos, pelas ciências que graças a Ele nos foi possível desenvolver, pessoas tem sido salvas, curadas, transformadas. Os sinais do reino estão por todo lugar.
É verdade que os sinais da morte ainda prevalecem. É verdade que muitas vezes parecem bem mais fortes do que os sinais da vida que Deus nos oferece em Jesus. É certo também, que em grande parte assim o é, por causa da dureza do nosso coração. Jesus censurou a incredulidade e a dureza do coração dos seus discípulos. Quantas vezes também o meu coração é duro demais para crer no Poder de Deus. Quantas vezes a incredulidade me prende e me amarra aos possíveis humanos, aquilo que é racionalmente e logicamente admissível, e com isso impeço o florescer da obra de Deus em mim e a minha volta.
Quantos vezes a realidade à nossa volta clama por um passo de fé, por uma atitude de total confiança em Deus, na certeza de que Ele vai agir e prover, e nós ficamos reticentes... Não damos o passo! Não anunciamos o poder de Deus, e deixamos de ver as bênçãos decorrentes?
Não estou me referindo apenas a estes sinais extraordinários, como o milagre da cura de alguém, ou tantos outros que por vezes tomamos conhecimento. Penso especialmente no anuncio da palavra que produz vida, e na fé de que ali, naquela pessoa que parece tão incrédula, tão desviada, tão longe de Deus, possa, pelo poder do Espírito Santo, brotar uma nova vida. Que ali possa haver conversão, salvação e reconciliação com Deus, que é o primeiro, e o maior de todos os milagres.
Mas, é claro que as evidências do agir e da presença poderosa de Deus também estarão confirmando a nossa pregação. Esta é a promessa destas palavras finais de Jesus aos seus discípulos. Coisas acontecerão, que são maiores do que nós mesmos podemos realizar. Para que Deus seja reconhecido e exaltado, ela estará conosco, abençoando a nossa pregação e a nossa vida, conferindo-nos autoridade e poder em seu nome.
Não para nossa glória, mas para sua glória. Não para que nós sejamos vistos e reconhecidos, mas para que as pessoas aprendam a reconhecê-lo em todos os seus caminhos, e aprendam a amá-lo e honrá-lo através do seu viver. Que Deus amoleça os nossos corações. Que Ele nos ajude no exercício da fé e da confiança Nele. Para que sobre toas as coisas, Ele seja reconhecido como Senhor. Amém.
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